terça-feira, 15 de novembro de 2011
Advento do Senhor - Ano Litúrgico B
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Kamak Kawsay "Bem-viver é bem conviver"
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O território da fé
Liberta-te, mesmo que tarde.
E morreu mais um escravo de sua própria valia.
Se todo empregado tem um preço,
Vale mais quem faz uma coisa só...
Se a vida é um jogo, quem é o melhor jogador?
Se a arte vale mais do que o artista, porque esperar que ele morra?
De fato, o que é bonito não foi feito para se mostrar...
A utilidade é quem preside o belo e o feio
E se engana quem acha que é livre para dizer o contrário.
Até o livre que pensa é medido pelo seu significado,
Mesmo que não signifique nada para ninguém e nem para os livros que escreve.
Posso achar que estou errado... mas não quero morrer enganado.
Só peço que me explique quanto vale para você o seu trabalho,
E por quanto valoram os seus aplausos?
Então, trabalhe menos, aumente mais o seu salário!
Faça tudo ficar sempre um pouquinho mais complicado.
Demasiado... mais humano
E porque demasiado... mais humano.
Nada e arte são capazes de entorpecer o meu silêncio,
Demasiado barulhento para não ser dito.
Você anjo das minhas angústias e mais fiel companhia
Quem vive em minhas mentiras?
Releva hoje a verdade da minha demasia,
Enquanto estou acordado ou em vigília.
Depois que te conheci passei a acreditar na retina.
O espelho só enquadra quem dele precisa,
Para ver o que não se diz em nenhuma língua.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Celebração afro-brasileira da Palavra de Deus
Motivações:
(Explicar o motivo da celebração para a assembléia, especialmente nas datas significativas, como 20 de novembro ou em outra data importante para a comunidade negra).
Canto e procissão de entrada:
(Entram os três animadores da celebração, junto com crianças que levam toalha, flores etc. ao altar. Outras pessoas podem levar os símbolos que ajudem a expressar o motivo da celebração).
SAUDAÇÃO À TRINDADE
Presidente: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Leitor A: Em nome do Deus de todos os nomes, em nome do Pai, que faz toda a carne, a negra e a branca, vermelha no sangue.
Leitor B: Em nome do Filho, Jesus nosso irmão, que nasceu moreno da raça de Davi.
Leitor C: Em nome do Espírito Santo, a força da vida e da liberdade.
Leitor A: Em nome do Deus verdadeiro que nos amou primeiro sem dividição. Em nome dos três que são um Deus só. Aquele que era, que é e que será.
Leitor B: Em nome do povo que espera na graça da fé o Quilombo Páscoa que o libertará.
Leitor C: Em nome do povo sempre deportado pelas brancas velas, no exílio dos mares, marginalizados nos cais, nas favelas e até nos altares.
Leitor A: Em nome do povo que fez seu Palmares, que ainda fará Palmares de novo, Palmares do povo.
(Invocação aos antepassados)
LITURGIA DA PALAVRA
(A equipe de liturgia escolhe textos Bíblicos à luz do Ano Litúrgico no contexto dos acontecimentos da vida do povo negro com suas experiências e características culturais. A liturgia da palavra compõe-se de leituras tiradas da Sagrada Escritura, salmo responsorial, aclamação ao Evangelho e homilia).
Canto e procissão da Bíblia:
(Durante o canto entra um grupo de pessoas dançando; a pessoa encarregada de proclamar os textos bíblicos leva a Bíblia. Diante da Bíblia, na procissão, alguns levam velas acesas; duas tigelas de barro [Cerâmica]. Uma traz brasas com incenso [incensando o povo ]; outra, com água de cheiro, e são depositadas sobre uma mesinha disposta diante de todos).
Leitura dos textos bíblicos:
1ª Leitura:
Salmo Responsorial:
Aclamação ao Evangelho:
Proclamação do Evangelho:
Partilha da Palavra de Deus (Homilia).
(Após a proclamação dos textos bíblicos, coloca-se a Bíblia sobre a mesa da Palavra e convida-se a assembléia a uns instantes de silêncio. O animador toma a Bíblia e a faz passar de mão em mão. As pessoas que desejam partilhar a mensagem da Palavra de Deus, façam-no assim que a Bíblia chegar em suas mãos. O animador motiva a assembléia a partilhar a mensagem que a Palavra de Deus provocou em cada um. A assembléia, durante um certo tempo, faz a atualização da Palavra).
Momento Penitencial:
Expressão simbólica (Ao toque do atabaque, entram símbolos: um atabaque ou outro instrumento afro-brasileiro preso em correntes com cadeado; uma vela apagada; uma máscara branca num rosto de pessoa negra; elementos da natureza, como plantas machucadas... que são colocadas sobre uma mesinha [ou em outro lugar oportuno], à vista de todos, para provocar súplicas de perdão e revisão de vida à luz da Palavra de Deus).
- ORAÇÃO COLETA DE PERDÃO:
Deus todo-poderoso, berço e fonte de energia,
tende compaixão de nós, vossas criaturas,
perdoai nossos pecados e guiai-nos no caminho do bem,
até a vida eterna e feliz.
Todos respondem (Cantando): Assim seja, meu Deus, amém!
Aspersão do povo com água de cheiro (Tomar a tigela com água de cheiro e, com um ramo, aspergir o povo).
MOMENTO DE LOUVOR
(Procissão das oferendas com alimentos [com alimentos típicos da região, canto e expressão corporais]. Aqui cabem os benditos populares, ladainhas e salmos, a exemplo do salmo 150 do Ofício Divino das Comunidades ou louvações).
1./:Louvemos todos juntos o nome do Senhor:/,
/:Por nós fez maravilhas, eterno é seu amor!:/
2./:Louvemos pelo Cristo que veio nos salvar:/,
/:Por nós deu o seu sangue, sem fim quis nos amar!:/
3./:Louvemos por Maria, a mãe de todos nós:/,
/:com ela venceremos o inimigo mais atroz.:/
4./:Louvemos com pandeiros, sanfonas, violões:/,
/:louvemos com cirandas, com sambas e baiões.:/
5./:Louvemos pela terra, que nos dá de comer:/,
/:a terra é de todos, pra todos deve ser.:/
6./:Louvemos pelos pobres que vivem na união:/,
/:na luta dos pequenos, Jesus se faz irmão.:/
(Zê Vicente)
(Durante o momento de louvor, onde houver comunhão eucarística, pode-se trazer e colocar sobre o altar as hóstias consagradas).
RITO DE COMUNHÃO
Oração do Pai Nosso...
Oração do presidente:
“Senhor nosso Deus, criastes todas as coisas para a glória do vosso nome e como alimento e bebida destes aos vossos filhos os bens da criação, a fim de que eles vos bendigam; mas a nós destes uma comida e bebida espirituais de maior valor para a vida eterna, que em Jesus Cristo, vosso Filho, nos alimenta hoje e nos dá força.”
Ou
“Cristo Jesus, nós acolhemos vossa presença-doação e vós louvamos por lembrar-nos sempre a primazia do amor. Vós pedimos converter-nos sempre mais à fraternidade. Com vosso força, queremos ser testemunhas de vosso reino de justiça, fraternidade e paz. Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz quem nele encontra a vida. Eis o Filho de Deus que doou sua vida pela nossa liberdade.”
COMUNHÃO
Canto:
Momento de silêncio e meditação:
MOMENTO DA PARTILHA DOS ALIMENTOS E COMPROMISSO
(Neste momento, as pessoas partilham os alimentos trazidos na procissão das ofertas e manifestam seu compromisso de vida).
BÊNÇÃO FINAL
Presidente:
- O Deus todo-poderoso e Pai de bondade vos livre sempre de todos os males do corpo e do espírito e derrame sobre vós as suas bênçãos. Amém!
- Torne vossos corações atentos à sua Palavra a fim de que transbordeis de emergia espiritual o mundo. Amém!
- Assim, abraçando o bem e a justiça, possais sempre valorizar e bendizer os dons divinos e andar pelos caminhos que levam à libertação e à paz. Amém!
Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Vamos em paz, e que o Deus do amor e da esperança nos acompanhe.
domingo, 17 de abril de 2011
Batismo-Crisma como itinerários da Igreja
O primeiro desafio posto neste curso a partir da obra “Nas fontes da fé cristã – uma teologia do Batismo-Crisma” é repensar os sacramentos da iniciação cristã em sua unidade inicial e, o segundo, refletir a desagregação contemporânea entre o Sacramento e a vida. Isso porque, para compreender corretamente qual é a fé da Igreja, precisamos pensar Batismo-Crisma de forma integrada para não cometer erro em sua interpretação; pois, se admitimos que no Sacramento do Batismo recebemos o Espírito Santo, então o que seria a Crisma? Ou, partindo dessa lógica, o que seria a Crisma para um batizado que já tem o Espírito Santo: será que o Batismo possui data de validade e por isso é necessária uma segunda dose? Tais equívocos não podem passar despercebidos à nossa reflexão. Por isso, partindo da leitura da Tradição Apostólica e dos Santos Padres da Igreja, constatamos que a iniciação cristã é um momento importantíssimo da formação eclesial que pode nos ajudar a sanar não só esse, mas outros desafios.
O Concílio Vaticano II, na Sacrosantum Concilium nº 64, afirma com todas as letras que seja restaurado o catecumenato na Igreja para que, por meio da instrução e dos ritos sagrados, possa a humanidade ser santificada para a edificação do corpo místico de Cristo. A Igreja firmemente deseja que todos os cristãos se sintam convidados para se fazer “ouvintes da Palavra” e, a partir da liturgia Quaresmal, conscientes de que somos sempre neófitos “em processo de conversão”. Neste contexto, o catecúmenato, na assistência do Espírito Santo, dá acesso existencial ao mistério de Deus na vida do crente, porque Batismo-Crisma se torna o Sacramento da fé, o Sacramento da conversão e o Sacramento da iniciação cristã.
Para afirmar que o Batismo-Crisma é o Sacramento da fé, precisamos afirmar que, quem adere à fé, adere a um seguimento; ou melhor, é iniciado na fé de alguém ou de um grupo e, essa ação pressupõe conversão. A Tradição sempre acentuou essa compreensão, porque “tem acesso ao Batismo quem se converte ao Evangelho.” Portanto, o Sacramento da fé é antes o Sacramento da conversão à fé; ou melhor, conversão à Boa Nova do Evangelho enquanto seguimento. O tempo forte da Quaresma é o momento por excelência para a formação dos catecúmenos (os adultos que desejam receber o Batismo na Vigília Pascal), pois renovamos a nossa confissão na morte e ressurreição do Senhor e proclama o Mistério Pascal. As primeiras comunidades sempre recorreram a esses textos da liturgia quaresmal para a formação dos catecúmenos, fato que ainda é válido para nós hoje. Nos cinco domingos da quaresma a Igreja pode encontrar pistas para compreender o verdadeiro significado do sacramento do Batismo-Crisma nestes três aspectos: na adesão à fé, na conversão ao Evangelho e na iniciação cristã.
Quando falamos em fé, estamos falando da acolhida ao chamado que recebemos por meio da pregação (Rm 10,17). Na verdade, a fé nos vem por meio de Jesus Cristo e se concretiza em nós como graça do Espírito, a convite do Pai. A resposta da samaritana no poço de Jacó figura bem o tipo de resposta que Jesus nos chama a dar, porque passa primeiro por um encontro pessoal e transformador e nos faz seus discípulos. O conteúdo da fé é o Evangelho de Jesus Cristo, como afirmam os samaritanos: “Não é somente por causa dos teus dizeres que nós cremos, nós mesmos o ouvimos e sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 5, 5-42). Portanto, a fé é uma resposta existencial que esclarece e desvela tudo que ainda está obscuro, fazendo-nos capazes da Boa Nova: “se ele não viesse da parte de Deus não poderia fazer o que faz, diz o cego” (Jo 9, 5-45). Muitas vezes cantamos... “comungar é tornar-se um perigo”, porque Ele mesmo é quem se dá ao ouvinte da Palavra, na celebração eucarística. A nossa resposta só é possível animada pelo Espírito Santo como experiência pessoal e comunitária, porque Jesus é o autor e realizador da fé (Hb 12,2).
Quando falamos em conversão estamos pressupondo a liberdade, que no Espírito é doada, porque a idolatria torna a liberdade humana escrava do pecado. A tentação de Jesus quer nos ensinar algo verdadeiramente importante: o reino de Deus combate as estruturas de morte de nossa sociedade, denunciando os ídolos e nos chamando à conversão (Mt 4, 1-11). Não podemos esquecer que a conversão é a condição de todo ser humano que vive na fé e que inicia o seu processo de iluminação em Cristo. A vitória de Jesus sobre a tentação é o sinal concreto de que a liberdade humana, mediada pela graça, é convidada a se tornar liberdade “de” e liberdade “para”; aberta para uma resposta radical de amor e justiça (Rm 6, 20). Pelos sacramentos da iniciação o catecúmeno vai fazendo o seu próprio processo no discipulado respondendo para si mesmo “Quem é o Filho do Homem?” (Jo 9, 36).
Quando falamos em sacramento da iniciação estamos compreendendo que somos iniciados de forma mistagógica ao mistério da vida de Deus, revelado em Jesus Cristo, pela ação do Espírito Santo. No batismo somos iluminados e nossos olhos são abertos para ver a salvação. A iniciação cristã é uma escola da liberdade, porque como liberdade o outro é mistério e Deus, é esse eterno outro que se revela e se autocomunica. Nesta mesma dinâmica podemos compreender a posição do cego de nascimento diante dos fariseus: “Aí está, de fato, o que é espantoso, que não saibais de onde ele é; ele que me restituiu a vista!” (Jo 9, 1-41). A contradição é essa, Jesus não é uma realidade evidente por si (Escândalo para o judeu e loucura para o grego), porque o acesso a Jesus é o próprio Jesus (só conhecemos a Deus na medida em que praticamos a verdade do amor no seguimento dele).
Portanto, pensar o sacramento da iniciação a partir das leituras que estamos fazendo, seja da Tradição ou das escrituras na liturgia, é extremamente interessante, porque tomamos consciência que Cristo deseja renovar constantemente a Igreja nas águas do batismo, constituindo-nos seu corpo místico. A dinâmica do catecumenato é o caminho e melhor itinerário para fazer não só dos catecúmenos, mas todos os fiéis, “filho no Filho”, como “ouvintes da Palavra” que respondem no Espírito dizendo Abbá; fazendo da oração do Filho a sua oração.
Felipe Soriano, SJ